O MASTINO NAPOLETANO é um cão que chama a atenção onde quer que esteja, nunca passando desapercebido. Mas o que o faz extremamente fascinante é a idéia de força e de potência que brota do seu corpo, conjuntamente com um olhar calmo e suave. É como se ele trouxesse dois animais diferentes dentro de um só: é afetuoso com os familiares e feroz com desconhecidos.

             O porte desse animal é realmente impressionante. Ele possui um aspecto maciço, forte, robusto e majestoso. De musculatura potente e peito largo e bem desenvolvido, sua andadura é peculiar, pesadona e gingada como a do urso. O Mastino tem nada mais nada menos que a maior cabeça da espécie canina. Seu aspecto é tão peculiar que é considerada a característica mais importante na raça. O crânio é extremamente largo e achatado entre as orelhas. O focinho, muito grosso e curto, colabora ainda mais para a aparência gigante. Sem falar das rugas abundantes e da pele solta ao redor do pescoço (barbelas). A pelagem é densa e de textura áspera, podendo ser encontrada nas cores preto, cinza, mogno, fulvo e tigrado. Sua altura varia entre 59 e 76 cm e seu peso entre 50 e 70 kg.

             O mastino apresenta uma peculiaridade bastante curiosa: sua impressão digital está na face e focinho, representada por suas rugas e barbelas. Nenhum mastino tem estas rugas e barbelas iguais às de outro cão. O desenho formado pelas pregas é único para cada animal.

             Esta raça antiga (datada de 3.200 A.C.) descende de grandes molossos da época do Império Romano.A despeito de seu passado de cão de briga, em geral é plácido, sossegado e amistoso, sobretudo com pessoas que conhece bem.

             O Mastino sabe distinguir o mal intencionado (característica que os napoletanos chamam de "cussienza" - a inata sensibilidade ao perigo e a capacidade de reconhecer amigos e inimigos). Desta forma, sempre que se faz necessário, sabe lutar como nenhum outro cão e intervir com decisão e coragem, protegendo seu dono e a família com determinação.

             Em um texto italiano do século XIX, encontramos o Mastino Napoletano definido como "um lutador sem medo, que se bate com o assassino, com o cão comum, com o lobo, com o urso e com o touro; verdadeiro Hércules que, confiando na própria força, recusa e despreza a emboscada; ataca sempre de frente e sem hesitação; derruba o adversário e contenta-se em mantê-lo simplesmente preso ao chão, se o mesmo não opõe nenhuma resistência. É generoso com crianças e com os pequenos cães; normalmente não é agressivo com pessoas, desde que acompanhadas por conhecidos. Não o agrada entrar em brigas sem razão, mas, se é provocado, coitado do imprudente, pois não deixa que violem a sua dignidade. Na guarda de casas, lojas e mercadorias, é o custódio mais feroz e mais ciumento, porque prefere morrer a permitir que sejam violadas as substâncias confiadas a sua vigilância."